Dookie – Green Day (Resenha)

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Dookie. O nome de um dos álbuns mais importantes dos anos 90 é nada mais do que uma gíria para cocô. Traduzindo pro português do dia-a-dia, é algo como “merda” ou “bosta”. Billie, Mike e Tré costumavam fazer muitas piadas ”fecais”, em função das diarreias que tinham enquanto estavam na estrada em turnê e comiam porcarias. Os três costumavam chamar esses acontecimentos de  ”liquid dookie” e, assim, surgiu o nome do álbum. Gravado no fim de 1993, o terceiro álbum do Green Day combina a diversão com a rebelião do punk rock e fez com que uma legião de adolescentes – que achavam sua vida uma merda de segunda a quinta e no final de semana só queriam curtir – se identificassem intensamente com as músicas criadas pelos três californianos.

Depois de dois álbuns gravados com o selo independente Lookout! Records, a banda buscava uma gravadora que pudesse oferecer mais qualidade na produção e tivesse uma maior capacidade de distribuição. Nessa época, Rob Cavallo era um jovem representante da Warner Music e a demo de Dookie apareceu em sua mesa. Segundo ele ”Era uma fita que transbordava faixas que grudavam na mente e ao mesmo tempo tinham uma maturidade musical surpreendente”. O Green Day, então, deixou a Lookout! com um acordo amigável, assinou com o selo Reprise e logo deu início às gravações, baseadas no que se podia ouvir em um show ao vivo da banda. Com Billie Joe completando todas as vozes em apenas 3 dias, o álbum ficou pronto em apenas 2 meses após o início das gravações – e, até hoje, Cavallo afirma que ainda não viu nada igual.

Grande parte das músicas são de autoria de Billie, com exceção de ”Emenius Sleepus” que foi escrita por Mike e ”All By My Self”, composta por Tré Cool. As composições foram baseadas em experiências dos membros da banda e incluem temas como ansiedade, ataques de pânico, masturbação, orientação sexual, tédio e ex-namoradas. O single ”Longview” trata de uma situação que todo jovem já passou (e Billie apenas falou isso em voz alta para que todos ouvissem): ficar em seu quarto, morrendo de tédio, desejando ser mais velho para sair de casa e descobrir o mundo. A letra é acompanhada por um riff de baixo repetitivo e sensacional (criado por Mike enquanto ele estava sob os efeitos de LSD), com uma bateria suave ao fundo que se transforma em caos durante o refrão, culminando em um do singles do álbum. ”Welcome To Paradise” apareceu, originalmente, no segundo álbum da banda, Kerplunk, mas foi regravada com uma qualidade melhor para Dookie. Já o hit ”Basket Case”, que apareceu em diversas paradas no mundo todo, também foi baseada nas experiências pessoais de Billie: ela trata sobre seus ataques de ansiedade e sua sensação de estar ficando louco, antes de ser diagnosticado com síndrome do pânico. O clipe dessa música foi gravado em um manicômio abandonado e é, até hoje, uma das músicas mais famosas do Green Day. A faixa ”Coming Clean” fala sobre a transição da adolescência para a vida adulta, quando somos obrigados a lidar com nossa sexualidade e em como as pessoas tem dificuldade para confessar o que elas são verdadeiramente.

A capa do álbum é uma reunião de insanidades, mas tem um fundo de verdade: o lugar onde todo tipo de tumulto acontece é a Telegraph Avenue, de Berkeley, California. A rua é uma espécie de 25 de Março e reune restaurantes, lojas de roupas, vendedores ambulantes, turistas, mendigos, punks de rua e pessoas, digamos, estranhas. A arte feita por Richie Bucher demonstra fatos que Billie, Mike e Tré viam no seu dia-a-dia na cidade, misturado a diversas referências. O zeppelin com a escrita ”bad year/ eat at chef wong’s”, por exemplo, veio de um desenho que estava em uma camiseta na arte do álbum A Rocket to Russia, do Ramones. Também é possível ver um personagem com um quê de Ozzy Ousborn citando um trecho da música ”Black Sabbath”. Angus Young, do AC/DC, também aparece, em uma reprodução de sua foto da capa de Let There Be Rock. É muita coisa rolando ao mesmo tempo e muito cachorro jogando cocô pra todo lado – e é genial.

Dookie foi lançado no dia 1 de Fevereiro de 1994 e se transformou, organicamente, em um sucesso mundial, traduzindo a realidade de muitos meninos e meninas da geração X que estavam cansados da melancolia do grunge e queriam se divertir, mas também falar sobre o que estavam sentindo naquele momento. Ele marcou a mudança da banda de uma gravadora independente para um grande selo – o que fez o Green Day receber diversas críticas por, teoricamente, ir contra a ideologia punk e de encontro ao ”mainstream”. Os três californianos foram ambiciosos o suficiente para criarem um álbum que os tirou do anonimato e foi uma explosão de popularidade para tudo que era relacionado ao punk rock na época. O álbum chegou ao segundo lugar na parada Billboard 200 dos Estados Unidos e ainda apareceu em listas semelhantes de outros sete países. Em 1995, ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa e é o álbum best-selling da banda, com 20 milhões de cópias vendidas.

Esse álbum foi (e ainda é) muito importante para a história, aparecendo na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock’n Roll Hall of Fame e até hoje a banda toca metade do setlist em seus shows. Dookie continua conquistando adolescentes que se identificam com as canções e os sentimentos de Armstrong, Dirnt e Cool e deve, definitivamente, entrar na sua playlist..

Nas palavras de Tré Cool: ”I believe in Dookie. Dookie is a anthem. Dookie is forever”.

green day dookie

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8.0 Bom

Dookie foi lançado no dia 1 de Fevereiro de 1994 e se transformou, organicamente, em um sucesso mundial, traduzindo a realidade de muitos meninos e meninas da geração X que estavam cansados da melancolia do grunge.

  • Letras 9
  • Instrumental 7
  • Originalidade 8
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Sobre o Autor

Camila Sampaio

Quase publicitária que já quis ser cineasta, redatora e fotógrafa. Seus heróis morreram de overdose e ela busca uma ideologia pra viver. Acredita no surrealismo, no lado mais escuro da lua e é apaixonada pelo equilíbrio que as artes - principalmente a dança - trazem para a vida.