Fleetwood Mac – Rumours 1977 (Resenha)

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Quando se tem, numa receita, uma banda formada por dois casais em vias de separação, preparando-se para gravar seu segundo disco com nova formação, acrescentando quantidades absurdas de drogas – especialmente cocaína – não é sinal de que sairá algo que preste, mas deu certo quando Fleetwood Mac se reuniu para gravar Rumours, lançado em 1977, que se tornou um clássico absoluto não só pela qualidade de suas composições, produção caprichada e apelo pop, mas também pela sinceridade das letras, que retratavam bem o clima tenso e desiludido que se encontravam as vidas de seus integrantes.

O Fleetwood Mac surgiu em meados de 1967, na Inglaterra, como uma banda de blues comandada pelos oriundos de John Mayall’s and the Bluesbreakers, o guitarrista Peter Green, contando com a cozinha de John Mcvie no baixo e Mick Fleetwood na bateria, junto com o vocalista e também guitarrista Jeremy Space. Depois de algumas mudanças na formação, saída de integrantes e tudo mais, a banda chegou em sua formação definitiva com a entrada, primeiramente, de Christine Mcvie (Teclado e Vocais) e do casal de americanos Lindsey Buckingham (Guitarra e Vocais) e Stevie Nicks (Vocais). Com os já citados John McVie e Mick Fleetwood (que, por sinal, são os integrantes que dão nome ao grupo), essa formação alterou por completo a orientação musical da banda, lançando seu disco de estreia em 1975, o chamado Fleetwood Mac, que contava com sucessos como ”Rhianon”,” Landslide”, ”Over my Head”, entre outros.

Sendo assim, era óbvio que o sucessor deste álbum seria gerado em breve – mais precisamente, em 1976. Acontece que o grupo estava formado por dois casais, Buckingham & Nicks e John & Christine Mcvie, e o início das gravações do segundo álbum coincidiu com a crise dos relacionamentos de ambos. Para piorar, Mick tinha descoberto uma traição de sua esposa e passava por um processo de separação conturbado, além de que este período marca o auge do vício de Stevie Nicks em cocaína. E qual a melhor forma que a banda arrumou para lidar com toda esta tensão? Fazendo músicas provocativas uns sobre os outros. ‘’Dreams’’ (sem dúvidas, a mais famosa do álbum), por exemplo, é uma resposta triste e amargurada de Nicks para Buckingham que, por sua vez, não deixou barato e respondeu à altura com ‘’Second Hand News’’,’’ Go Your Own Way’’ e ‘’Never Going Back Again’’, expondo de forma bem clara seus rancores com relação a sua ex-parceira.

Enquanto isso, Christine McVie também aproveitava para expor suas amarguras sobre seu relacionamento com John em canções como ‘’Don’t Stop’’ que, na verdade, nada mais era do que um pedido e incentivo para John seguir em frente de cabeça erguida apesar de toda a situação. “Oh Daddy” (Daddy era o apelido por qual John era chamado pelos integrantes), em referência mais explícita ainda, na qual McVie expõe seu sentimento de culpa e rancor pelo término do relacionamento. E não podemos nos esquecer da melancólica “Songbird”, no qual ela revela que, apesar dos pesares, ainda existe um sentimento muito forte que permeia tudo aquilo. Mas como nem só de tristeza os fins de namoros são feitos, ela também foi responsável pela clássica “You Make Loving Fun“, que foi feita para o seu mais novo affair: o técnico de iluminação da banda.

Mas, apesar de tudo, o elo que os unia naquele momento conseguia ser maior do que qualquer adversidade pessoal e sentimental. “The Chain”, a única canção assinada por todos os integrantes, deixa isso bem claro principalmente por sua mensagem final (‘’Chain keep us together/ Running in the Shadows’’). Por fim, o álbum não poderia terminar de forma melhor com a música “Gold Dust Woman” composta e interpretada com maestria por Nicks.

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No final das contas, Rumours foi um estouro de vendas, vendendo milhões de cópias e se tornando um dos discos mais vendidos da história da música, ganhando várias reedições ao longo dos anos. Recentemente, uma edição limitada dos 35 anos de lançamento contendo três discos foi lançada. No primeiro, o álbum original com a faixa ‘’Silver Spring’’ não lançada á época. No disco dois, uma gravação ao vivo de 1977 da turnê de lançamento, e também mais um disco com gravações demos e takes alternativos, com certo destaque para ‘’Planets of the Universe’’ que só foi lançada em 2001 no disco ‘’Trouble in the Shangri-La’’, excelente trabalho solo de Nicks.

Se você nunca ouviu este clássico, ouça agora, pois é impossível passar imune pela força e qualidade destas canções que ultrapassaram a barreira do tempo e continuam intactas até hoje, pois todos nós, de uma forma ou de outra, nos identificamos com as angústias, alegrias e tristezas que sempre permeiam as relações humanas.

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8.7 Ótimo

O disco mais intenso e sincero da música pop.

  • Letras 9,5
  • Instrumental 9
  • Originalidade 8,5
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Sobre o Autor

Alexandre Rodrigues Gomes

Antes de tudo um sonhador que acha que a vida sem música não tem sentido. Formado em Administração de Empresas, mas que tem grande vontade em trabalhar com comunicação. Um apaixonado por música, cinema e quadrinhos. Adora conhecer coisas novas e seu grande sonho atual é viajar ao redor do mundo. Acredita que o grande sentido da vida é a liberdade.