Gladiador – 2000 (Resenha)

0
» Assine nosso canal do Youtube e aprenda mais sobre cinema. 🎬 «

O gênero épico, dentro do cinema, possui uma série de traços e peculiaridades que o definem e o tornam facilmente reconhecido aos olhos do espectador. Na esmagadora maioria das vezes, conta a história de um grande herói, que precisa enfrentar diversos e poderosos antagonistas em busca de seu objetivo. Costumam ser ambientados nas grandes civilizações da antiguidade, como Roma e Grécia, ou em universos fantasiosos (mas existem muitos épicos modernos, também, principalmente envolvendo grandes guerras recentes). Em termos de produção, são portentosos e ambiciosos, contendo milhares de locações, figurantes, reproduções de objetos e figurinos de época, e grandes orçamentos.

Épicos permearam toda a história do cinema, surgindo na Itália com Cabiria (Giovanni Pastrone, 1914), se espalhando por outros países como, por exemplo, O Nascimento de Uma Nação (D. W. Griffith, 1915, EUA) e Napoleão (Abel Gance, 1927, França), e virando estrondosos sucessos na Era de Ouro de Hollywood, como Ben-Hur (William Wyler, 1959) e Spartacus (Stanley Kubrick, 1960). Passado tanto tempo, era de se esperar que o épico perdesse o fôlego.

Porém, isso não aconteceu, e temos ótimos exemplos do gênero recentemente, como a magistral trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, e um dos grandes clássicos de Hollywood das últimas duas décadas, Gladiador (Gladiator, 2000). O filme foi dirigido por Ridley Scott, que já tinha em seu currículo obras-primas cultuadas como as ficções científicas Alien, O Oitavo Passageiro e Blade Runner, O Caçador de Andróides, e o road-movie Thelma & Louise.

Gladiador conta a história de Maximus, um importante general do Império Romano, que acaba de conquistar mais uma vitória sobre os bárbaros, constituinte da política de expansão territorial de Roma. O imperador, Marcus Aurelius (Richard Harris), está gravemente doente e procura um sucessor digno de seu trono. A escolha natural seria seu filho homem, Commodus (Joaquin Phoenix). Entretanto, o velho escolhe Maximus, e transmite a ele sua vontade de que Roma volte a ser uma República.

Commodus descobre a decisão do pai e, antes que o anúncio seja feito, mata-o. Em seguida, ele manda os próprios soldados romanos prenderem e matarem Maximus, que consegue se libertar e fugir para salvar sua família. Ele chega tarde demais, e vê sua esposa e filho mortos. Capturado, ele é forçado a se tornar gladiador para viver. Sua extrema habilidade com a espada o transforma no melhor gladiador do império, o que o faz ser levado a Roma, onde pode concretizar sua vingança contra o agora Imperador Commodus.

O filme é primoroso em sua reconstituição visual da arquitetura e das vestimentas usadas pelas pessoas da época, e também por suas sofisticadas cenas de batalha, como o embate inicial entre romanos e bárbaros, e a encenação de uma batalha da Guerra de Cartago. Também é excelente a crítica que Ridley Scott faz ao uso de violência como instrumento político de manipulação, bem como à política de pão e circo, pela qual Commodus tornou as batalhas entre gladiadores permitidas mais uma vez, depois de anos de proibição no governo de seu pai, para que consiga o amor da plebe mais facilmente. “Ele os dará morte, e eles vão amá-lo por isso”, diz o senador Gracchus. A decadência de Roma é o principal motivo pelo qual Marcus Aurelius desejava que o senado voltasse ao poder, e é essa chama de mudança que Commodus busca apagar com seu pulso firme.

Um dos pontos fortes do filme é o trabalho de Russel Crowe e Joaquin Phoenix. Ambos transmitem com naturalidade as motivações de seus personagens. Crowe coloca em seu Maximus tanto o ódio e o desejo de vingança quanto a serenidade e a experiência de quem já lutou demais na vida. Phoenix, em uma atuação assombrosa, coloca toda a angústia e o pesar de um filho que nunca conseguiu satisfazer as expectativas de seu pai, que nunca teve o amor pela irmã correspondido e que nunca provou seu valor em uma luta por Roma. Ele pode ser facilmente considerado um dos melhores vilões da história recente da sétima arte, e a cena em que ameaça sua irmã enquanto fala com seu sobrinho é um bom motivo para isso.

Gladiador é um daqueles raros exemplos em que as partes são executadas com tanta maestria que fazem o todo ser alçado a um nível superior. Uma obra que entretém, mas que, ao mesmo tempo, torna-se arte do mais alto escalão. Não é a toa que o filme levou cinco Oscares, incluindo o de Melhor Filme. Depois de assistir Gladiador, é extremamente improvável que uma pessoa não esteja entretida, como pergunta Maximus ao público em uma das falas icônicas da obra.

Se inscreva no nosso canal, clique aqui.

8.1 Muito Bom

Gladiador é um dos maiores épicos do cinema moderno, engajando o espectador em uma narrativa envolvente e emocionante, além de contar com cenas de batalha inesquecíveis e atuações incríveis de Russel Crowe e Joaquin Phoenix.

  • IMDb 8.5
  • Roteiro 8
  • Elenco 8.5
  • Fotografia 8
  • Trilha Sonora 7.5
Compartilhe.

Sobre o Autor

Luiz Eduardo Luz

Publicitário, amante da sétima arte e colecionador de filmes, escreve sobre cinema para o Canto Dos Clássicos. Frase preferida do cinema: “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up.” – Crepúsculo dos Deuses.