Gladiador – 2000 (Resenha)

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O gênero épico, dentro do cinema, possui uma série de traços e peculiaridades que o definem e o tornam facilmente reconhecido aos olhos do espectador. Na esmagadora maioria das vezes, conta a história de um grande herói, que precisa enfrentar diversos e poderosos antagonistas em busca de seu objetivo. Costumam ser ambientados nas grandes civilizações da antiguidade, como Roma e Grécia, ou em universos fantasiosos (mas existem muitos épicos modernos, também, principalmente envolvendo grandes guerras recentes). Em termos de produção, são portentosos e ambiciosos, contendo milhares de locações, figurantes, reproduções de objetos e figurinos de época, e grandes orçamentos.

Épicos permearam toda a história do cinema, surgindo na Itália com Cabiria (Giovanni Pastrone, 1914), se espalhando por outros países como, por exemplo, O Nascimento de Uma Nação (D. W. Griffith, 1915, EUA) e Napoleão (Abel Gance, 1927, França), e virando estrondosos sucessos na Era de Ouro de Hollywood, como Ben-Hur (William Wyler, 1959) e Spartacus (Stanley Kubrick, 1960). Passado tanto tempo, era de se esperar que o épico perdesse o fôlego.

Porém, isso não aconteceu, e temos ótimos exemplos do gênero recentemente, como a magistral trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, e um dos grandes clássicos de Hollywood das últimas duas décadas, Gladiador (Gladiator, 2000). O filme foi dirigido por Ridley Scott, que já tinha em seu currículo obras-primas cultuadas como as ficções científicas Alien, O Oitavo Passageiro e Blade Runner, O Caçador de Andróides, e o road-movie Thelma & Louise.

Gladiador conta a história de Maximus, um importante general do Império Romano, que acaba de conquistar mais uma vitória sobre os bárbaros, constituinte da política de expansão territorial de Roma. O imperador, Marcus Aurelius (Richard Harris), está gravemente doente e procura um sucessor digno de seu trono. A escolha natural seria seu filho homem, Commodus (Joaquin Phoenix). Entretanto, o velho escolhe Maximus, e transmite a ele sua vontade de que Roma volte a ser uma República.

Commodus descobre a decisão do pai e, antes que o anúncio seja feito, mata-o. Em seguida, ele manda os próprios soldados romanos prenderem e matarem Maximus, que consegue se libertar e fugir para salvar sua família. Ele chega tarde demais, e vê sua esposa e filho mortos. Capturado, ele é forçado a se tornar gladiador para viver. Sua extrema habilidade com a espada o transforma no melhor gladiador do império, o que o faz ser levado a Roma, onde pode concretizar sua vingança contra o agora Imperador Commodus.

O filme é primoroso em sua reconstituição visual da arquitetura e das vestimentas usadas pelas pessoas da época, e também por suas sofisticadas cenas de batalha, como o embate inicial entre romanos e bárbaros, e a encenação de uma batalha da Guerra de Cartago. Também é excelente a crítica que Ridley Scott faz ao uso de violência como instrumento político de manipulação, bem como à política de pão e circo, pela qual Commodus tornou as batalhas entre gladiadores permitidas mais uma vez, depois de anos de proibição no governo de seu pai, para que consiga o amor da plebe mais facilmente. “Ele os dará morte, e eles vão amá-lo por isso”, diz o senador Gracchus. A decadência de Roma é o principal motivo pelo qual Marcus Aurelius desejava que o senado voltasse ao poder, e é essa chama de mudança que Commodus busca apagar com seu pulso firme.

Um dos pontos fortes do filme é o trabalho de Russel Crowe e Joaquin Phoenix. Ambos transmitem com naturalidade as motivações de seus personagens. Crowe coloca em seu Maximus tanto o ódio e o desejo de vingança quanto a serenidade e a experiência de quem já lutou demais na vida. Phoenix, em uma atuação assombrosa, coloca toda a angústia e o pesar de um filho que nunca conseguiu satisfazer as expectativas de seu pai, que nunca teve o amor pela irmã correspondido e que nunca provou seu valor em uma luta por Roma. Ele pode ser facilmente considerado um dos melhores vilões da história recente da sétima arte, e a cena em que ameaça sua irmã enquanto fala com seu sobrinho é um bom motivo para isso.

Gladiador é um daqueles raros exemplos em que as partes são executadas com tanta maestria que fazem o todo ser alçado a um nível superior. Uma obra que entretém, mas que, ao mesmo tempo, torna-se arte do mais alto escalão. Não é a toa que o filme levou cinco Oscares, incluindo o de Melhor Filme. Depois de assistir Gladiador, é extremamente improvável que uma pessoa não esteja entretida, como pergunta Maximus ao público em uma das falas icônicas da obra.

O quarto episódio sobre a História do Cinema já está disponível.

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8.1 Muito Bom

Gladiador é um dos maiores épicos do cinema moderno, engajando o espectador em uma narrativa envolvente e emocionante, além de contar com cenas de batalha inesquecíveis e atuações incríveis de Russel Crowe e Joaquin Phoenix.

  • IMDb 8.5
  • Roteiro 8
  • Elenco 8.5
  • Fotografia 8
  • Trilha Sonora 7.5
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Sobre o Autor

Luiz Eduardo Luz

Publicitário, amante da sétima arte e colecionador de filmes, escreve sobre cinema para o Canto Dos Clássicos. Frase preferida do cinema: “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up.” – Crepúsculo dos Deuses.