Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Resenha)

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Albus: I’m ready. […]
Together, the family runs hard into the barrier.

Podemos dizer que a britânica J.K. Rowling sabe muito bem como:

  1. Twittar coisas incríveis.
  2. Brincar com a nossa ansiedade.
  3. Criar histórias que vivem para sempre.

Seu trabalho mais famoso, a saga Harry Potter, ganhou as prateleiras de quem cresceu nos anos 2000 e conquistou leitores de todas as idades. A história foi adaptada para o cinema, rendeu alguns spin-offs, figuras de ação, games, parques, livros não oficiais e deixou o mundo bruxo marcado em nossos corações.

Mas você já sabia de tudo isso, não é?

A “novidade” (entre aspas, já que os fãs estavam esperando por isso há um bom tempo) é a peça de teatro Harry Potter and The Cursed Child (em tradução livre, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada), que ganhou os palcos no final de julho.

A gente garantiu um exemplar do livro homônimo, que traz o roteiro escrito pela própria Rowling, pelo roteirista Jack Thorne e o diretor John Tiffany. Nesse post, vamos falar um pouco mais sobre a história e nossas percepções sobre as novidades de Hogwarts.

ALERTA:

Por mais que a autora tenha dito:

É impossível falar do livro sem deixar alguns detalhes escaparem. Mas calma: esse texto não contém grandes spoilers da obra e só vai deixar você ainda mais curioso.

A história é dividida em duas partes, cada uma com dois atos, em que o protagonista é Albus Severus (ou Alvo Severo), um dos filhos de Harry. O menino sente que não atinge as expectativas que seus pais e familiares colocam sobre ele, além de ficar extremamente incomodado com os olhares por onde passa –  afinal, ele é o filho do famoso Harry Potter.

Tudo começa como descrito no epílogo de Harry Potter e as Relíquias da Morte, com as crianças embarcando na Plataforma 9 ¾Enquanto os personagens que já conhecemos (Harry, Rony, Hermione, Gina, McGonagall) enfrentam seus trabalhos diários (alguns com cargos bem importantes no Ministério da Magia) e as obrigações com a família, Albus Severus enfrenta seu primeiro ano em Hogwarts. O jovem Potter, ao contrário do seu irmão mais velho, James, acaba se tornando um aluno isolado e amigo de uma figura bastante improvável: Scorpius, o filho de Draco Malfoy.

Scorpius, inteligentíssimo e bem diferente de seu pai, precisa aguentar o desprezo de alunos, professores e outros bruxos, que o enxergam como um agente do retorno e Voldemort e criam rumores bem esquisitos sobre sua origem.

Os dois bruxinhos solitários se unem e os adultos, principalmente Harry, não ficam muito felizes com essa amizade. Porém, eles precisam esquecer as antigas rixas para ajudar o mundo mágico, depois que os garotos roubam um objeto confiscado pelo Ministério da Magia para trazer um antigo (e querido) personagem de volta à vida. Com a ajuda de Delphi, uma jovem misteriosa que nunca frequentou a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Albus e Scorpius acabam mudando drasticamente suas realidades, afetando o equilíbrio do universo e desvendando um grave mistério sobre a criança amaldiçoada do título.

Conforme a história vai se desenrolando, Albus e Scorpius tentam consertar suas trajetórias e lutam para acabar com os estereótipos que acompanham seus sobrenomes. Por outro lado, Harry tenta se aproximar mais do filho e fazê-lo acreditar que, independente de suas decisões, os dois precisam se apegar àquilo que venceu as forças das Trevas desde o princípio: o amor pela família e a confiança nos amigos.

A história é, claramente, escrita para o teatro, tanto que existem indicações de fala das personagens e definições do que está acontecendo durante a interpretação. E a narrativa funciona bem dessa maneira: é possível imaginar o palco e toda a ação acontecendo sobre ele. Por outro lado, em uma opinião pessoal, o enredo não sustentaria um filme ou adaptação para a TV. A história de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada possui algumas situações duvidosas vividas pelas personagens e falas pouco cativantes, que não fazem jus aos livros anteriores – claro, o formato é totalmente diferente e precisa de um ritmo mais acelerado (o que existe no texto e consegue ser muito bem trabalhado). Mas falta um pouco mais de conteúdo para justificar algumas situações, falta aquele tempero que sempre existiu nas histórias. A leitura é válida, com toda a certeza, mas sua força está no formato, na nostalgia e nas referências de quem cresceu com o universo Potter.

Não sabemos se a peça será adaptada para outras mídias, se existirão outras histórias desse universo ou se a autora tem alguma carta na manga. Mas uma coisa é certa: mesmo em 1, 9 ou 19 anos depois, o mundo mágico de J.K. Rowling continua a nos surpreender.

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8.1 Nostálgico

É uma obra carismática, mas totalmente voltada ao teatro - e nada mais do que isso. Futuras adaptações precisariam de diálogos e um roteiro mais fortes, mas a situação atual permite aquilo que esperávamos: embarcar no Expresso de Hogwarts e viver novamente nesse universo.

  • Enredo 7.5
  • Personagens 8
  • Ritmo dos Acontecimentos 9
  • Referências de livros anteriores 8
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Sobre o Autor

Patricia Hoça

Publicitária, escritora e viciada em idiomas, viaja entre os livros enquanto não pode dar a sua própria volta ao mundo.