O Sétimo Selo – 1957 (Resenha)

1
» Assine nosso canal do Youtube e aprenda mais sobre cinema. 🎬 «

The Seventh Seal ou O Sétimo Selo, dirigido por Ingmar Bergman e lançado em 1957, é um filme completamente existencial, mas que permite – como a maioria dos filmes psicológicos – diversas interpretações de quem assiste. Por curiosidade, ele foi produzido com base em uma peça de teatro chamada O Retábulo da Peste.

Sabemos, ao certo, que toda manifestação artística possui muitos traços da essência de quem a fez, com O Sétimo Selo não é diferente, podemos traduzir o filme a uma mera expressão da individualidade de Bergman, mostrando suas dúvidas e seus conflitos. Porém, o filme pode ir muito além disso. E foi, uma vez que trouxe sínteses complexas de sua época.

A Peste Negra que, principalmente no contexto do filme (século XIII), deflagrou e acabou com a esperança de vida de muita gente é tema central dessa obra prima do diretor sueco. Toda a simbologia do filme consegue mostrar esse lado sombrio da Idade Média. O uso do preto e branco foi essencial, sem falar da morte, interpretada com excelência por Bengt Ekerot.

Bom, começando pelo nome do filme que tem um significado peculiar: ele remete ao livro bíblico chamado “Apocalipse” ou “Revelação”, onde nele, é dito que na mão de Deus existe um livro fechado com sete selos, e que a abertura de cada selo resultaria em alguma coisa diferente, e o último, se aberto, culminaria no fim dos tempos. A Peste Negra é resultado desse sétimo selo aberto, que está causando o caos e todas as dúvidas existenciais na cabeça do nosso protagonista Antonius Block interpretado – também magistralmente – por Max Von Sydow.

“E havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.”
– Apocalipse (8:1)

Assim que Antonius volta das Cruzadas, vê a sua terra devastada e todo o caos instalado na sociedade, mas a sua vez também chegou, e a morte vem ao seu encontro. Porém, para ganhar tempo e tentar fazer coisas para o bem comum, ele desafia a morte numa partida de xadrez com o objetivo de escapar dela. Não respeitando o resultado das jogadas, ela persegue Antonius durante sua “aventura” pela Suécia. Durante a viagem ele se depara, também, com o lado negativo da vida religiosa que trouxe todo o tipo de destruição para aquele lugar, como a perseguição aos opositores, e a tortura principalmente das mulheres, que eram consideradas feiticeiras pela igreja.

Outro simbolismo do filme é em relação – ao que muitos estudiosos relatam – à família de Jesus, quando Block toma quatro pessoas sob sua proteção: o ateu Squire Jons, os jovens Mia e Jof e seu bebê.

Um dos pontos mais interessante do filme, na minha opinião, é a cena final, onde ocorre uma simbologia de “Danse Macabre” ou em português: Dança Macabra. Eu prefiro chamar de “a dança da morte”, que é uma metáfora do final da Idade Média sobre a universalidade da morte, expressando que não importa quem você seja, onde vive, e o que faz, “a dança da morte” une todo mundo.

Por fim, O Sétimo Selo é uma obra prima do cinema e uma quebra de paradigmas. Nele, Bergman rompe com diversos elementos religiosos, mas apresenta o ser humano de uma maneira mística. Merece ser visto e revisto pelos amantes da sétima arte, afinal, a cada nova assistida percebemos elementos antes escondidos.

Se inscreva no nosso canal, clique aqui.

8.9 Ótimo

Construção de época incrível. Personagens inigualáveis e que caíram muito bem em cada ator. Linguagem adequada, diálogos inteligentes, e roteiro impecável que resultam em um dos melhores do Bergman. Não pode ficar de fora da sua lista.

  • IMDb 8.3
  • Roteiro 9.5
  • Elenco 10
  • Fotografia 8.5
  • Trilha Sonora 8
Compartilhe.

Sobre o Autor

Lucas Pilatti Miranda

Fundador e editor-chefe do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. Frase preferida do cinema: "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.