Pulp Fiction – 1994 (Resenha)

0
» Assine nosso canal do Youtube e aprenda mais sobre cinema. 🎬 «

Surpresa. Essa seria na minha opinião, a palavra perfeita para a descrição de Pulp Fiction, o segundo filme de Quentin Tarantino e o qual fez alavancar ainda mais sua carreira. O diretor já havia trabalhado em outros filme além de Cães de Aluguel, mas em sua filmografia “oficial”, Pulp Fiction de 1994 é o segundo da lista.

Durante a evolução da história do roteiro, seguimos inúmeros personagens (a propósito apresentados de forma incrível) e vemos a trama de seu ponto de vista temporal ou de conhecimento da situação até aquele determinado momento. Em cada seguimento do longa, conhecemos cada personagem de forma diferenciada e vemos separadamente como todos têm seus problemas e situações diárias que precisam ser vencidas.

Nenhum dos personagens é tratado com desdém ou desinteresse pelo roteiro ou direção e a forma como todos impactam a todos é de uma precisão incrível. A direção foi o que elevou o cineasta a um novo patamar dentro de Hollywood. Tarantino conseguiu o inusitado, ele atraiu o grande público e a crítica da época com uma obra que descrevia com exatidão (obviamente de forma não literal), o povo americano nos anos 90. O impacto da imigração, criminalidade, problemas psicológicos, preconceito racial e etc., está tudo ali. O filme tem seus extremos, mas como já foi dito pelo próprio Quentin:

“Violência é o ato que mais atrai atenção do público”

(quem somos nós para discordar…).

O longa deu a Tarantino seu primeiro Oscar e com ele, uma oportunidade de poder em seguida fazer o projeto que bem gostaria. Para muitos, este filme é, até hoje, a obra prima do diretor. Em minha opinião é algo a se discutir, mas o que é inegável sem dúvidas é a qualidade da obra completa. Da edição a direção de arte, tudo deu a Pulp Fiction esse status de clássico moderno.

Em um ponto de vista pessoal, vejo este belo filme em três tópicos:

– O Tarantino que conhecemos retratou o assédio que começou a sofrer de investidores e de outros cineastas por meio de Vincent Vega. O personagem de Travolta era experiente em seu “mercado”, mas o que ocorria com ele no decorrer do longa o assustava e o deixava extremamente amedrontado (como ter que “tomar conta”, da esposa de seu chefe Marcellus, um criminoso violento). O personagem a meu ver, simbolizou um homem que tem certa experiência, mas odiava acontecimentos que o deixasse sem saída (como na cena de overdose de Mia, esposa de Marcellus), deduzo que esse sentimento era algo diário passado pelo cineasta na época que escrevia o roteiro. Pressão comercial, com liberdade criativa (ocasionando em possíveis picos emocionais), tendo a história em mente e a vontade de que ela alcançasse o maior público possível.

– Quentin inicia um “Miniverso”. O cineasta decide criar histórias que complementam outras (iniciativa começada em “Cães” mas provada em “Pulp”), o próprio já disse que existe uma parte fictícia e outra que seria a realidade dentro de sua ficção, (sim é uma loucura, mas é Tarantino). Exemplo desse Miniverso são os nomes “Vega”, de “Pulp” e “Cães” e os cigarros “Red Apple” que aparecem em “Os 8 odiados” e vários outros longas do diretor.

– Pulp Fiction foi um experimento! Sendo escrito em um refúgio criativo em Amsterdã, o diretor foi criando e mudando a história com o passar do tempo se inspirando na própria vida, quase nada deve ter sido bastante planejado! Quentin só começou a escrever e o longa foi sendo “esculpido” com o passar dos meses.

Inspiração para muitos e odiado por poucos, depois disso Quentin só subia ( às vezes nem tanto), mas sempre tentando se aprimorar como roteirista e diretor

Leia também:

– Revisitando a filmografia de Quentin Tarantino

O quarto episódio sobre a História do Cinema já está disponível.

Se inscreva no canal, clique aqui.

8.9 Muito bom

Um filme que trouxe Quentin Tarantino ainda mais para o círculo cinematográfico. Uma aula de roteiro, direção de personagens e uso de trilha sonora, assim como em quase toda a sua filmografia. Um clássico contemporâneo.

  • IMDb 8.9
  • Roteiro 10
  • Elenco 8.5
  • Fotografia 7
  • Trilha Sonora 10
Compartilhe.

Sobre o Autor

Gabriel Matavel

Mineiro, cinéfilo alucinado e amante do cinema dos anos 80. O diretor que expressa minha paixão em tela perfeitamente é Hitchcock, e tenho Watchmen como meu livro de cabeceira.