Surrealistic Pillow – 1967 (Resenha)

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O ano de 1967 marcou o início do Verão do Amor nos Estados Unidos e o nascimento do movimento hippie, o brotamento do lema e estilo de vida “Paz e Amor” com uma passeata pela paz realizada em abril. Mas, no primeiro dia de fevereiro, uma banda de São Francisco já antecipava o que estava pra acontecer e traz ao mundo um disco que escancara a diferença de pensamento entre as gerações. Antes, as pessoas escondiam suas tristezas, frustrações e repressões dentro do American Way Of Life, o estilo de vida no subúrbio onde se tinha um emprego razoável para sustentar uma casa e uma família com dois filhos e um cachorro. Mas, essa geração hippie apareceu para mostrar o contrário. O uso das drogas, interesse em religiões orientais e busca por uma espiritualidade, liberdade e amor universal vieram como uma resposta a tantos anos de repressão.

É na hora desta ruptura que nasce “Surrealistic Pillow”, o segundo disco do Jefferson Airplane e o primeiro a apresentar a nova cantora do grupo, Grace Slick. Além de uma voz poderosa e intensa, Grace também é compositora dos dois grandes sucessos do disco, as músicas “Somebody To Love” e “White Rabbit”. O álbum inova ao misturar folk com experiências lisérgicas de baixo, bateria e principalmente, guitarra. O produtor e grande colaborador do disco é o genial guitarrista do Grateful Dead, Jerry Garcia. Com esse caldeirão de músicos incríveis e mensagens a serem passadas, um novo marco na música e no comportamento foi construído.

O disco começa com uma bateria lotada de ecos de “She Has Funny Cars”, uma música que a banda já tocava ao vivo e ganhou nova pulsação com os backing vocals de Grace Slick. Em seguida, um dos maiores hits da banda, “Somebody To Love”, um hino da contracultura. A música retrata que quando está tudo perdido, destruído, morto e acabado surge a vontade de amar alguém e ser amado. É a crítica para com tantos anos de repressão que a sociedade forçava, a busca pelo amor interior e universal. Letra simples, porém de uma força e importância única.

“3/5 Of  A Mile In 10 Seconds” é um blues rock sobre como a sociedade começava a encarar os hippies ou quem possuía uma visão diferente do “normal”. A canção mostra a vontade de criar um espaço, uma comunidade só para quem pensava de outra maneira, como protesto e mantendo o amor mesmo com quem os odeia. Mais para frente, o outro grande sucesso do disco, a música “White Rabbit”. Inspirado no livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll e construída em cima da linha de baixo pungente, a faixa seduz com os vocais de Slick para criar uma jornada épica e lisérgica dentro do mundo insano criado pelo autor.

Assim, o disco é uma viagem – literal e metaforicamente – ao começo do pensamento e estilo de vida hippie, embalado por músicas que, por si só, já funcionam como drogas lisérgicas. Seja pelo caráter ímpar das canções ou pela importância de publicar o comportamento e discurso de uma geração que estava chegando, “Surrealistic Pillow” é um clássico que não envelhece e deixa a influência dos alucinógenos viva e atemporal, mesmo depois de 50 anos.

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9.2 Ótimo

Um disco que antecipa o pensamento do movimento hippie e o comportamento totalmente diferente entre gerações em sons totalmente lisérgicos.

  • Letras 9.5
  • Instrumental 9
  • Originalidade 9
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Sobre o Autor

Bruno Ascari

Colecionador vinil e músico frustrado, vive procurando novos álbuns para ouvir. Escreve sobre música e tem toque por praticamente só ouvir discos inteiros.