A psicologia das cores no cinema em 16 filmes

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Pode parecer clichê mas as cores nos filmes são fundamentais, afinal, elas são responsáveis em definir o comportamento físico, mental e emocional de cada personagem ou cena. Georges Méliès foi o precursor em dar cor aos filmes, pintando à mão – “FRAME À FRAME” – apenas pela estética.

Com o passar dos anos, após a inclusão do expressionismo nos filmes, grandes diretores entenderam que além da atuação, a melhor forma de conectar o espectador diretamente seria influenciar suas atitudes e emoções através das cores, em construir climas e atmosferas ou passar mensagens críticas e psicológicas em cada cena.

Na construção visual de um filme ou personagem, o Diretor define junto com a equipe de Arte e diretor de Fotografia o clima e estética. O uso das cores nesse caso é primordial nos figurinos, cenários e iluminação de uma cena, usando tonalidades que “direcionam” a atenção e despertam no público, os sentimentos e percepções desejados.

Por esse motivo, meus amigos, todos os elementos enquadrados na tela são muito bem pensados e posicionados, estabelecendo harmonia de forma única.

As cores podem até passar despercebidas por nós durante um filme, mas a conexão que elas têm (às vezes imperceptíveis) afetam diretamente o nosso psicológico e, tem um papel fundamental no entendimento de ações que muitas vezes não são explicados durante o filme.

Para entender melhor os significados de cada cor:

ROSA/ROXO

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE (2014) – WES ANDERSON

budapestGênio da atualidade, conduz maestralmente planos simétricos e com profundidade de campo, inspirados nas obras do mestre Stanley Kubrick. Brinca com praticamente todos os tons de cores cromáticos em cenas específicas, de acordo com ritmo e emoções da narrativa. Anderson usa fotografia quente (presente) e fria (passado), para distinguir as duas épocas retratadas: a do escritor e a história contada.

O rosa é a cor que compõe o filme. A fotografia puxando mais para o quente acentua a cor dando um ar vintage que nos remete a “infância” e “romance” pelas cores vivas, traz tranquilidade e fantasia. A composição vai muito além do trabalho caprichado da direção de arte, Anderson se preocupa muito com os enquadramentos, é quase uma sequência de quadros pintados à mão (frame à frame). O figurino do protagonista é na cor roxo, que representa sua “pureza” e sofisticação.

UMA CIDADE SEM LEI (2010) – GUY MOSHE

uma cidade sem leiPor se tratar de uma história inspirada no teatro cultural do Japão antigo (Bunraku), os tons de cores do filme são fantasiosos, tudo o que lembra a infância e remete ao imaginário. Pela consequência das guerras, as armas de fogo foram completamente proibidas, mas nessa cidade a violência com armas brancas e grupos de gangues matadores ainda são muito frequentes.

As cores do figurino dos personagens são sempre neutras, o destaque maior é na fotografia. Dificilmente uma cena é composta por apenas uma cor de luz, sempre são usadas cores frias e quentes ao mesmo tempo, dependendo do temperamento da cena. No caso desse filme, o roxo representa a “fantasia” e “sonho”.

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About Author

Filipe Santana

Formado em Cinema, atuo na área como Diretor de Fotografia em filmes publicitários e Fashion Film. Sou fã de DBZ, Preacher e Scott Pilgrim. Gosto de séries independentes e provavelmente aquelas que nunca chegam no Brasil. Sou amante do cinema na era de ouro, pra mim o glamour da arte naqueles tempos são intocáveis. Acredito muito no cinema alternativo e autoral, tenho fé que um dia (quem sabe) irei recusar convites para dirigir super produções Hollywoodianas.

7 Comentários

  1. Avatar

    Falar da Psicologia das Cores nesses filmes e não citar os Diretores de Arte e de Fotografia e dar crédito somente ao Diretor, é, um pouco sacanagem né? A maioria das coisas que foi descrito, provavelmente, foram idéias e criações conjuntas traduzidas das idéias do diretor. Vamos dar crédito a quem merece também né?

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