Cléo das 5 às 7 – 1962 (Resenha)

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Cléo das 5 às 7

Agnès Varda faleceu dia 29 de março de 2019 deixando um legado poderoso para a sétima arte e uma história de luta pelo lugar da mulher no cinema, em especial na direção cinematográfica. Seus filmes, geralmente carregados de críticas sociais dentro de sua estética realista documental, tornaram-se exemplo do ótimo cinema francês e do potencial feminino para a sétima arte.

Cléo das 5 às 7 é um dos grandes representantes do eterno movimento francês que ficou mundialmente conhecido como Nouvelle Vague.

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Cléo é uma jovem cantora que se depara com uma doença repentina, sem saber exatamente o que tem e qual a gravidade disso. Enquanto aguarda o resultado dos exames num período de 2 horas (daí “Cléo das 5 às 7”), a protagonista vivida intensamente e maravilhosamente pela atriz Corinne Marchand percorre Paris atrás de respostas.

Neste momento já nos deparamos com uma das maravilhas do roteiro conduzido por Varda: uma história que se passa em curtas 2 horas, separada em capítulos de poucos minutos, mostrando a imensidão que pode ser o tempo quando estamos presos dentro da nossa própria mente; o pânico e a ansiedade como coadjuvantes reais.

O filme se inicia em cores dentro de uma sessão de tarô, onde Cléo decide tentar visualizar o que está acontecendo e, ao longo da obra, percebemos uma enorme quantidade de simbologias presentes nesta cena, principalmente a da morte como forma de renovação espiritual.

Cléo das 5 às 7

Cena inicial, na sessão de Tarô.

Após a sessão, sem respostas exatas e muito menos positivas, a cantora sai abatida e extremamente preocupada com o seu futuro. Aqui o filme entra em preto e branco e assim permanece até os créditos finais.

Ao longo da trama descobrimos que Cléo é, na verdade, Florence, uma mulher presa dentro de si em representação a uma necessidade extrema de atenção. Aqui percebemos a intimidade dessa obra tão expressiva sobre o feminismo e a sociedade pautados na época, mas não apenas isso, temos uma personagem extremamente imponente mas, ao mesmo tempo, frágil.

O uso de vidros e espelhos durante todo o longa é uma feliz escolha da direção, onde refletem não somente a beleza e imponência da protagonista, mas sim todas as suas dúvidas, angústias e medos. Esse sentimento da angústia acarretado inicialmente pela doença faz parte de todo o filme e é muito bem recriado em cenas marcantes, como a catarse violenta em um dos pontos mais altos do filme: o momento da canção “Sans toi” de Michel Legrand (o próprio rapaz que toca o piano no filme) e com letra da diretora Agnès Varda.

Cléo das 5 às 7

Cena da canção “Sans Toi”

O filme de Varda possui elementos típicos que ficaram conhecidos em quase todas as obras da Nouvelle Vague e que dão uma ênfase a história do filme, como as cenas filmadas na rua que priorizam o psicológico da personagem e as pessoas em volta olhando seriamente para Cléo.

Cléo das 5 às 7 foi uma profunda análise de personagem e do sentimento de angústia que cerca qualquer cidadão em diversos momentos de nossa vida. Um belíssimo exemplar e um ótimo estudo sobre o medo, a incoerência, a solidão e o imediatismo presente na sociedade francesa dos anos 60, os quais, evidentemente, estão presente até hoje e são partes das nossas raízes.

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8.8 ótimo

Um ótimo estudo de personagem e uma verdadeira representação de medos e angústias. Um dos maiores exemplos da Nouvelle Vague francesa e um filme que merece ser revisto.

  • Direção 10
  • Roteiro 9
  • Elenco 8
  • Fotografia 8
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About Author

Lucas Pilatti Miranda

Fundador e editor-chefe do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.

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