Clube da Luta – 1999 (Resenha)

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David Fincher é incrível. Tem no currículo uma série de grandes filmes como por exemplo Seven, Zodiac, Garota Exemplar, A Rede Social, O Curioso Caso de Benjamin Button entre outros e, sem dúvida, é um dos grandes diretores ainda vivos. Mas foi com Clube Da Luta, de 1999, que Fincher se consagrou e será eternamente lembrado, esse longa é, de longe, a sua obra prima.

Por onde mais começar esse texto se não pelas regras do clube? São elas:

1 – Você não fala sobre o Clube da Luta.
2 – Você não fala sobre o Clube da Luta.
3 – Se alguém gritar “Pára!”, fraquejar, sinalizar, a luta está terminada.
4 – Apenas dois caras numa luta.
5 – Uma luta de cada vez, pessoal.
6 – Sem camisas, sem sapatos.
7 – As lutas duram o tempo que for necessário.
8 – Se esta for a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem de lutar.

Bom, agora que você está ambientado, vamos voltar ao início. O filme, desde o começo, é narrado pelo protagonista (Edward Norton) que não nos apresenta o seu nome. Ele é um trabalhador medíocre, que vê sua vida cair por água abaixo, possui um emprego em uma companhia de automóveis, tem insônia e frequenta grupos de apoio para conhecer pessoas ainda mais depressivas, como forma de não se sentir tão mal.

Durante esses encontros em grupos (nos quais ele se passava por doente) acaba conhecendo uma mulher Marla Singer (Helena Bonham Carter) que mexe com ele, mas a princípio, negativamente. Percebendo que ela está ali pelo mesmo motivo, também se fingindo de doente, acaba se irritando, fazendo com que eles dividam os grupos para não se encontrarem mais.

Após uma viagem de negócios, esse rapaz conhece – no vôo – um homem chamado Tyler Durden (Brad Pitt), um vendedor de sabão com quem ele acaba se dando bem e consegue o seu contato, o qual em algumas horas será muito valioso pois, ao chegar em casa, se depara com o seu apartamento completamente destruído, vítima de uma explosão – até então desconhecida.

Sem saber o que fazer e para aonde ir, liga para o amigo que acabou de conhecer e se encontram num bar para tomar umas. Após algumas garrafas e ao sair do bar nós entramos em um ponto muito crítico do filme, onde tudo vai mudar. Quando o rapaz pede abrigo a Tyler, este aceita, mas pede uma coisa, um tanto quanto, peculiar em troca: um soco com a máxima força do protagonista sem nome. Ele se recusa e tenta entender o motivo de isso estar acontecendo, até que resolve se soltar e aceitar esse pedido exótico. Sem dúvidas, para mim, essa é uma das melhores cenas do filme pois mostra o antagonismo que é o ponto máximo da genialidade dessa obra, o “bom” e o “mau” que estará presente em todo o longa quando o narrador e Tyler estiverem na mesma cena.

Juntos, os dois criam o Clube da Luta, resultado da ótima experiência que tiveram ao libertar toda aquela fúria que a vida rotineira causou, principalmente ao protagonista. E era para isso que esse clube servia, mas de tempos em tempos, o grupo foi crescendo e se tornando uma sociedade secreta imensa, com objetivo de acabar com todo o comunismo possível da época – chegam até a citar algumas marcas para enfatizar esse ponto. Muitos críticos e fãs do filme, acham ele um tanto quanto fascista, mas o filme propositadamente forma uma mensagem ambígua, deixando a interpretação para o público. O próprio diretor disse: “Adoro essa ideia que podemos ter fascismo sem oferecer nenhuma direção ou solução. Não é o objetivo do fascismo dizer, ‘É por aqui que devíamos ir’? Mas este filme não podia estar mais longe de oferecer qualquer tipo de solução.”

———- SPOILERS ABAIXO ———-

Após perceber que Durden “deixou para trás” o nosso narrador, ele chega a ficar desesperado, por perceber que o Clube está montando um plano para destruir e acabar com tudo aquilo ligado ao capitalismo de uma forma completamente violenta. Em busca de respostas, finalmente, percebe quem o seu companheiro é de verdade: ele mesmo! A cena do hotel é completamente incrível por mostrar o momento da ficha caindo e uma das maiores realidades do filme: muitas vezes, nós não sabemos quem somos. Agora sim, tudo no filme começa a fazer sentido, quando eu assisti pela segunda vez, tudo ficou mais claro, por isso é sempre bom rever filmes como esse, na verdade, Clube Da Luta merece ser assistido sempre que possível.

Mensagem subliminar

Uma parte do filme que eu não poderia deixar de citar aqui, que me chamou muito a atenção e que é pouco comentada, é quando o nosso protagonista fala conosco para apresentar Tyler Durden, dizendo que ele, além de produtor de sabão, trabalha como garçom (fazendo absurdos com as comidas dos clientes) e também com fitas de vídeo, onde consegue fazer alguns cortes e colocar imagens inapropriadas durante as cenas. Isso é claramente usado no começo do filme em uma cena num dos grupos que o protagonista frequentou como mensagem subliminar, mostrando Durden durante um frame ao seu lado, para ressaltar que esse já estava no subconsciente do personagem. Sem contar segundos antes dos créditos, no final do filme que aparece um pênis na tela, como aquilo que Tyler Durden gostava de fazer em seu trabalho.

Não deixem de comentar abaixo a opinião de vocês sobre esse espetáculo da sétima arte que poderia ser resumido em uma frase com: um soco no estômago (literalmente).

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8.8 Ótimo

Gostaria de poder traduzir esse filme em uma única frase, a única que me vem na mente é literalmente "um sono no estômago". Esse filme é um completo choque de realidade que merece ser assistido diversas vezes.

  • IMDb 8.9
  • Roteiro 10
  • Elenco 9
  • Fotografia 9
  • Trilha Sonora 7
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About Author

Lucas Pilatti Miranda

Criador do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.

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