Laranja Mecânica – 1971 (Resenha)

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“Laranja Mecânica” ou A Clockwork Orange, é um romance escrito em 1962 por Anthony Burgess, retrata um bando de rua futurista baseado nos Teddy Boys, Mods e Rockers, que lutavam nas praias da Inglaterra no final da década de 1950 e princípio de 1960. Burgess inventou mnemônicas (técnicas de memorização) para poder falar russo e foi daí que derivou a linguagem (mista de russo e inglês) de rua dos jovens adolescentes chamada Nadsat, um sufixo russo para teen. O romance trata simplesmente de jovens entre 10 e 23 anos que se entregam aos seus desejos de sexo, violência, roubo, drogas e outros vícios. O livro foi publicado com notoriedade em 1959, mas durante muito tempo acreditou-se que era impossível filmá-lo.

O delinquente, porém muito inteligente Alex DeLarge, interpretado por Malcom Mcdowell, é o líder do seu bando os “Droogs”, que estão sempre vestidos com macacões brancos e usando chapéus-coco pretos. O filme começa com o sorriso malévolo de Alex. Ele e os seus Droogs bebem moloko, uma bebida que segundo Alex te deixaria pronto para a velha “ultraviolência”. Após esse ritual espancam um bêbado, lutam com um bando rival, roubam um carro, conduzem como loucos e quando chegam na casa futurista do escritor Frank Alexander. Alex o engana dizendo ter sofrido um grave acidente para conseguir entrar na casa e obriga Frank a olhar enquanto viola sua esposa – prende e espanca enquanto canta aos berros e dança a música Singin’ In The Rain. Cena essa em que Kubrick pede a Malcom Mcdowell para que improvisasse, e ele cantou essa música porque no momento foi a única que ele lembrou a letra. É interessante notar que a cena do estupro fica na memória dos espectadores como sendo especialmente sórdida.

Quando Alex volta para casa, escuta a gloriosa Nona sinfonia de Ludwig Van Beethoven enquanto imagina guerras, explosões, vampiros, enforcamentos, morte e destruição. Na noite seguinte, Alex utiliza uma estrutura fálica para matar uma mulher, é abandonado pelos seus Droogs e apanhado pela polícia.

Alex é enviado para a prisão e, depois de cumprir dois dos 14 anos de sua sentença, vendo como única chance de sair da prisão, torna-se voluntário de uma terapia para aversão experimental com fins políticos. Submete-se a uma terrível “cura” behaviorista. É dada uma droga a Alex, amarram-no a uma cadeira e, com os olhos mantidos abertos à força, obrigam-no a ver filmes violentos e depravados enquanto ouve a Nona Sinfonia de Beethoven. Após duas semanas, um simples pensamento sobre sexo, violência ou a Nona provoca nele convulsões.

De volta ao mundo, Alex não aprecia a sua “liberdade”, é traído por seus antigos camaradas que ironicamente tornaram-se policiais e recebe uma retribuição hilariamente intimidadora em um encontro com uma de suas vítimas.

Talvez um dos filmes mais polêmicos de Kubrick, “Laranja Mecânica” foi produzido em 1971 e retirado de circulação pelo próprio diretor durante quase 30 anos na Inglaterra por ter sido considerado apologia aos diversos crimes que acontecem no filme, apesar de seu lançamento inicial ter sido bem sucedido e fortemente criticado.

Com uma trilha sonora marcante e enquadramentos tão perfeitos e diferentes que são características e marcas do diretor, que utilizou técnicas de fast e slow motion nas cenas de sexo no quarto de Alex e nas cenas de violência. Tornando o filme uma verdadeira obra de arte.

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9.1 Ótimo
  • IMDb 8.4
  • Roteiro 10
  • Elenco 8.5
  • Fotografia 9
  • Trilha Sonora 9.5
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About Author

Rafael Scott

Uma incógnita ambulante. Estudante de Rádio e TV, e viciado em cinema. Nas horas vagas é degustador de cerveja e Jedi. Fã de Stanley Kubrick, seu sonho é trabalhar com cinema.

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