O Teorema Katherine (Resenha)

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O Teorema Katherine foi publicado pela primeira vez em setembro de 2006 e traduzido em 2012 pela Editora Intrínseca. Podemos dizer que, além de outros livros de John Green, a ascensão de O Teorema Katherine se deu – ao menos no Brasil – depois de 2014, com o baque de A Culpa é das Estrelas.

Colin Singleton é um garoto prodígio que acabou de se formar no ensino médio, gosta de criar anagramas e tem um problema constante com relacionamentos: ele já teve 19 namoradas, todas chamadas Katherine, e todas, terminaram com ele. Após o término da 19ª Katherine, Colin cai na estrada com seu amigo Hassan numa “aventura” a fim de esquecer, ou melhorar, sua situação atual.

Colin tenta criar um teorema para prever quando e quem terminará um relacionamento. Ele recebe ajuda de Lindsey Lee Wells, uma menina do interior de Tennessee, e dentre várias noites, quebra a cabeça (não precisa de tanto, pois ele é um prodígio) para tal. O resto é spoiler.

Este é o terceiro livro que leio de John Green, e reforço minha ideia sobre meu gosto pelos livros dele. Assim como Cidades de Papel e A Culpa é das Estrelas, a leitura é fácil e fluida, o que não te preocupa saber em que página está ou quanto falta para acabar, é até ‘gostoso’ de ler, e a trama te prende, por mais que seja uma história que poderia ter sido real, você anseia saber como o personagem vai acabar.

Confesso que antes do meio do livro eu já imaginava o que aconteceria no final, as pistas são claras, e o jeito que John Green ligou os pontos fez crescer minha admiração por esse autor. Apesar de muitos acharem clichê, poucos têm a capacidade de ler para afirmar. Gosto de livros de romances e de aventuras, o que é possível encontrar aqui, em baixo nível claro, o que não chega a ser o extraordinário de um romance como Nicholas Sparks e nem uma aventura a la Harry Potter.

Curiosidade: John Green traz nos livros O Teorema Katherine A Culpa é das Estrelas duas falas ou pensamentos dos personagens sobre nossa importância no mundo, veja:

“Colin riu e Hassan voltou a contar os centavos da vitória, mas a mente de Colin ficou a mil por hora com as implicações: se o futuro é para sempre, ele pensou, então um dia vai acabar nos engolindo a todos. Até mesmo Colin só conseguia listar no máximo umas dez pessoas que tinham vivido há, digamos, 2.400 anos. Dali a outros 2.400 anos, até Sócrates, o gênio mais conhecido daquele século, poderá ter sido esquecido. O futuro vai apagar tudo — não existe nenhum nível de fama ou genialidade que permita a alguém transcender o esquecimento. O futuro infinito torna esse tipo de importância impossível.” (Epílogo, O Teorema Katherine)

“— Vai chegar um dia — eu disse — em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — fiz um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz.” (Hazel Grace – Capítulo Um, A Culpa é das Estrelas)

Não é uma coincidência, John Green sustenta seus pensamentos em seus dois livros. Não importa o quão importante fomos, ou o quão grande seremos, chega um dia em que tudo vai passar, tudo vai ser deixado para trás. Ver a mesma mensagem, em duas histórias distintas, para mim foi incrível.

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9.0 Muito Bom

Esqueça finais trágicos como em A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel. John Green traz em "O Teorema Katherine" a história de um garoto prodígio que quer ser importante, além de um leve romance-aventura.

  • Trama 8
  • Escrita 10
  • Personagens 9
  • Feeling 9
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About Author

Lucas Lima

Nos meus sonhos, minha casa é Nova Iorque. Gosto demais de escrever e descobri isso depois que saí da escola; lá odiava português, eis uma prova que o mundo dá voltas. Gosto de praticamente tudo que me faz sonhar: filmes, séries, músicas e livros. Se não tivesse que trabalhar, seria um sedentário no sofá acompanhando tudo. Um jornalista e escritor em construção, talvez um dia eu tenha livros por aí.

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