Roma, Cidade Aberta – 1945 (Resenha)

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O período pós-guerra foi extremamente avassalador, levando uma série de enfermidades para a sociedade de diversos países que ficaram completamente desolados. Na Itália, por exemplo, os cineastas resolveram retratar isso no cinema, criando assim um dos movimentos cinematográficos mais simbólicos de toda a história do cinema, o Neorrealismo Italiano. Em “Roma, Cidade Aberta” de 1945 e dirigido por Roberto Rossellini encontramos o ápice desse período.

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Diversos diretores italianos se reuniram para criar esse movimento logo após a destruição do maior estúdio de Roma, o Cinecittà. A ideia era – mesmo sem equipamentos, locações próprias e atuações profissionais – realizar obras cinematográficas retratando a realidade de uma Itália completamente destruída, com altíssimo índice de desemprego e, obviamente, pobreza.

Esses filmes carregam um enorme apelo emocional, uma vez que mostram com exatidão a sociedade naquele período e, mesmo que Vittorio de Sica seja um dos mais lembrados com sua obra máxima “Ladrões de Bicicleta” (1948), foi Roberto Rossellini que realizou o mais impactante retrato do monopólio alemão sobre a destruída Itália 3 anos antes com Roma, Cidade Aberta, ou, se preferir, Roma città aperta.

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Roma Cidade Aberta Pina

Anna Magnani como Pina em uma das cenas mais marcantes do cinema.

“Um dos momentos mais altos da história do cinema”

– Martin Scorsese

Ainda que o filme de Rossellini conte com atuações profissionais, algo não tão comum para o movimento, a história e sua estética pessimista criam um grande retrato da época de forma a absorver como uma esponja as mazelas de um povo reprimido e sem esperança alguma. Nem mesmo as crianças escapavam dessa realidade.

O filme tem como premissa contar a história de um dos líderes da resistência italiana, Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), que é procurado pelos nazistas. Giorgio pretende entregar um milhão de liras para seus compatriotas.

Mas a profundidade de sua narrativa vai muito além ao nos apresentar dois personagens ícones da película: o padre Don Pietro Pellegrini, com uma interpretação fenomenal de Aldo Fabrizi e a incrível Pina, mulher grávida prestes a casar, uma das personagens femininas mais fortes da história do cinema, interpretada com maestria por Anna Magnani, um de seus principais trabalhos. A atriz voltaria a trabalhar com o diretor em “Amor” (1948).

Roma Cidade Aberta Padre

Aldo Fabrizi, intepredando o padre Don Pietro Pellegrini em um dos pontos mais altos da película.

Um marco e, evidentemente, um grande manifesto do cinema italiano, Roma, Cidade Aberta apresenta críticas sobre o governo fascista de forma a expor, também, personagens corrompidos e vendidos. Gritando, de certa forma, que ninguém estava imune: ou ajudava, ou morria. Com essa perspectiva, Roberto Rossellini conseguiu, também, criar um dos maiores heróis do cinema italiano, mostrando a coragem de Giorgio Manfred disposto a morrer por seus ideais.

Merece ser apreciado, por mais dura que seja sua mensagem, por qualquer um que pretenda conhecer o cinema como expressão artística da história e seus lados sombrios.

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8.9 Incrível

O retrato máximo do Neorrealismo Italiano. Emocionante, pesado e extremamente sincero. Necessário para conhecer um período triste da Itália pós-guerra.

  • Direção 9.5
  • Roteiro 8
  • Elenco 9
  • Fotografia 9
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About Author

Lucas Pilatti Miranda

Criador do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.

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