Tarja Branca: A Revolução Que Faltava

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Qual o verdadeiro significado de brincar? Seria correr nas ruas, sujar o pé, pular corda, pega-ladrão, soltar pipa, esconde-esconde, boneco-duro, tomar banho no rio? Sim e muito mais! Brincar é simplesmente se entregar ao momento, aproveitar cada segundo da liberdade, inventar mundos, chorar de rir, dançar e viver intensamente. A brincadeira nunca pode sair da gente, se não tudo ao nosso redor perde o sentido, vira preto e branco.

O ato de brincar é um comportamento milenar que praticamente nasceu junto com o ser humano. É só assim que acabamos com o tédio, lavamos alma, esquecemos os problemas e, também, os solucionamos.

Hoje em dia vivemos num mundo muito ocupado, corrido e sem tempo para nada. Enquanto crianças, ouvimos que não podemos fazer isso ou aquilo, que não podemos perguntar demais e que temos que estudar para crescermos na vida. Somos matriculados nos cursinhos de inglês, Kumon, ballet, artes marciais, futebol, música, etiqueta, tudo ao mesmo tempo. Algumas dessas “verdades” e atividades são, sim, importantes, no entanto, é preciso que a criança tenha os seus momentos de “não fazer nada”. É interessante que ela tenha uma tarde livre para chamar o vizinho para andar de bicicleta ou reunir-se com os amigos para apostar corrida. São nesses tempos de “ócio” que surgem as possibilidades para a criança brincar. E é brincando que ela se descobre, exercita a compreensão do mundo, desenvolve-se como um ser que faz parte da sociedade e que gosta de existir.

Mesmo crescidos ainda carregamos conosco essa criança brincante que um dia fomos. E pode apostar que é ela quem nos mantém vivos, acesos, esperançosos. Como dizem Milton Nascimento e Fernando Brant: “há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração; toda vez que o adulto balança, ele vem pra me dar a mão”. Quer dizer que não precisamos nos preocupar tanto com certas coisas e que nem todas as verdades são absolutas, pois para uma criança curiosa que anseia pela vida, o importante mesmo é ser feliz.

O documentário “Tarja Branca”, produzido pela Maria Farinha Filmes, explora justamente o conceito de brincar, qual a importância desse ato para o ser humano e como a sociedade contemporânea relaciona-se com ele, além de questionar, de certa forma, os métodos utilizados hoje em dia para curar a ansiedade, a insegurança, o medo e a depressão. Por meio de diversas entrevistas com várias pessoas de diferentes profissões, vamos percebendo que existe uma coisa em comum entre elas (e nós): uma vontade de viver brincando. Entendemos que, até mesmo o trabalho pode ser uma brincadeira quando este nos proporciona satisfação e que devemos seguir brincantes para sermos felizes, pois a vida pode ser um grande recreio.

O filme tem 1h19min e ficou em exibição nos cinemas nacionais durante três meses. Foi exibido em diversos festivais internacionais e apontado como um divisor de águas no modo como as pessoas enxergam suas realidades. E o melhor: está disponível no NETFLIX.

Se você tiver acesso ao documentário, assista-o, pois vale muito a pena e a trilha sonora é excelente. Alguns depoimentos e reflexões vão te surpreender.

Um exemplo de citação que chamou a minha atenção: “Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos nas suas possibilidades de manifestação”.

Recomendo, também, os outros documentários produzidos pela Maria Farinha que estão no NETFLIX: “Criança, a Alma do Negócio”, “Muito Além do Peso” e “A Educação Está Proibida”. Todos valem o seu tempo. 🙂

Segue o trailer do Tarja:

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About Author

Amauri Salvador

Diretamente de Rondônia para o mundo. Fugiu das exatas para a comunicação e já gastou muito tempo em MMO’s pela vida. Felizmente, é um modesto apreciador de música, literatura, cinema e de gente boa. Acredita no clichê de que a existência é um constante aprendizado.

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