Arquitetura no Cinema – Laranja Mecânica

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Em 1971, Stanley Kubrick, deu vida ao livro “Clockwork Orange”, de Anthony Burgess, para quem ainda não assistiu ao filme além da recomendação, deixo aqui uma breve sinopse: Alex DeLarge (Malcolm McDowell), protagonista, cujos interesses incluem música clássica (principalmente Beethoven), estupro e ultra violência. Alex lidera uma pequena gangue de arruaceiros (Pete, Georgie e Dim) a quem ele chama de drugues. O filme narra os terríveis crimes de sua gangue, sua captura e a tentativa de reabilitação através do controverso condicionamento psicológico. Kubrick grava praticamente todo o filme em Londres, Inglaterra. Segundo boatos, ele teria escolhido os locais das gravações com base em revistas de arquitetura, verdade ou não, a arquitetura da época tem forte presença em seus filmes.

Anos 70, final da arquitetura moderna, uma arquitetura feita em busca da funcionalidade imediata. Devido ao impacto devastador da guerra-relâmpago imposta pela força aérea alemã, surge uma política socialista para habitação pública, foram erguidos os blocos habitacionais.

Seguindo a sequência das cenas do filme, primeiro nos deparamos com Alex e seus drugues no ‘Korova Milk Bar’, este, foi construído em uma fábrica especialmente para a gravação do filme.

clockwork-milk-bar
Após beberem seu ‘leite’ eles se dirigem para um Cassino Hotel, próximo ao Hampton Court Palace, em Taggs Island, uma ilha localizada no rio Thames, em Londres. Originalmente construído em 1913. Kubrick aproveita a demolição do local para gravar uma cena de estupro e luta entre grupos rivais.

Durante a fuga deles da polícia, nos deparamos com uma mistura arquitetônica feita por Kubrick, o jardim japonês que eles invadem é da Casa de Milton Grundy, projetada pelo arquiteto Patrick Lichfield, em 1960.

Já a residência invadida por eles, é um projeto criado, em 1965, por Norman Foster, a Casa Skybreak. Fortemente caracterizada por sua flexibilidade interna com seus painéis deslizantes, que desta maneira ampliam e reduzem seus espaços internos, pela grande entrada de luz, e por um sistema estrutural que permitiu que a casa se estendesse na paisagem. A casa de Norman Foster como outras da época, combina materiais tradicionais com componentes feitos de fábrica.

Após esta longa noite, Alex dirige-se para sua casa, um apartamento na Torre D da Universidade de Brunel em Uxbridge, no filme, Kubrick trata a universidade como um dos blocos habitacionais da época. Chegando em seu quarto, Alex coloca a nona sinfonia de Beethowen para tocar. Sobre o quarto dele, podemos notar que há um pôster de Ludwing van Beethowen, o que acrescenta ao ambiente uma dimensão única, ampliando o mesmo. A Universidade de Brunel volta a aparecer praticamente no final do filme, quando Alex é levado para uma “reabilitação’, desta vez é mostrado seu centro de conferência, o edifício foi construído em meados dos anos 60.

A loja de discos onde Alex conhece duas moças e as leva para seu dormitório, atualmente, seria uma loja de fast-food.

Antes de ir para reabilitação, Alex é pego pela polícia aprontando suas delinquências na casa da senhorita Weathers, uma senhora que adorava gatos, localizada em Woodmere Health Farm, na vila de Shenley.

A prisão que aparece nas gravações seria a Prisão de Wandsworth, construída em 1851, um prédio de arquitetura vitoriana, atualmente a maior prisão de Londres.

Prisão de Wandsworth
Bom, essa foi a análise arquitetônica de um dos filmes mais controversos feitos pelo genial Kubrick. Aguardem que teremos novidades nesta coluna, esse é só o começo. Aceito sugestões nos comentários.

Até a próxima (:

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About Author

Gabriela Dresch

Aquariana, quase arquiteta e urbanista. Apaixonada por comida e pela junção da arquitetura com a sétima arte. Acredita que as pessoas andam devagar demais e que uma vida bem vivida é uma vida na qual você conhece diversos lugares diferentes, seja pessoalmente ou por meio de filmes e livros.

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