A Família – 2017 (Resenha)

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A sexta edição do Festival Olhar de Cinema começou. A intenção do evento deste ano é provocar e convidar os espectadores à uma reflexão sobre o papel do cinema como ferramenta de sensibilização e resistência coletiva, sendo assim, acertaram na escolha do filme de abertura: “A Família”, dirigido pelo venezuelano Gustavo Rondón e que teve seu lançamento recentemente, no Festival de Cannes.

Mesmo que precoce, a direção de Gustavo se mostra bastante madura, uma vez que nos transporta para dentro do filme fazendo com que acompanhemos a vida de Pedro, um menino de 12 anos e seu pai, Andrés (Giovanni García).

O longa de 82 minutos é tecnicamente simples e direto ao ponto, mas muito profundo no que pretende mostrar: a vida de Pedro (Reggie Reyes), que anda e brinca com seus amigos pelas ruas em meio à violência num distrito da classe trabalhista de Caracas. Entretanto, o “brincar” de Pedro e seus amigos não é tão comum. Manejam armas e falam sobre sexo em uma representação da vida adulta.

O clímax chega junto de um garoto da comunidade próxima. Uma briga acontece e Pedro acaba o machucando gravemente. Seu pai chega às pressas, percebe o perigo que isso pode trazer e foge com seu filho para a cidade.

Andrés, é um pai que “faz um corre aqui e ali, sempre atrás de dinheiro” para conseguir dar comida a seu filho. Não existe momento de afeto entre os dois em momento algum do filme, mas a gente sente isso profundamente em cada gesto e, por mais distantes que eles aparentam ser, as situações do filme acabam deixando eles mais próximos do que nunca.

O final tão silencioso e realista é um dos pontos altos do filme. Não há nada de muito feliz, mas ali percebemos o significado da palavra família.

Este é o primeiro longa do diretor, que esteve presente na abertura e contou um pouco sobre as origens do projeto. Segundo Gustavo, “A Família” é um filme que mostra um contexto social atual em que se encontra a Venezuela, mas que gera ressonância em toda a América do Sul. Desde a violência até as condições desumanas de sobrevivência para alguns.


O longa é uma obra que merece e precisa de mais atenção, principalmente de nós, brasileiros. Caso você tenha a oportunidade de assistir algum dia, não deixe ela passar, ao mesmo tempo que traz uma reflexão importante sobre os dias atuais, é também um filme que nos faz repensar sobre nós mesmos, mostrando que nossos problemas podem não ser na verdade um problema, mas sim apenas algo a ser trabalhado.

Trailer:

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7.7 Muito bom

Filme realista, humanitário e necessário. Uma obra singela que mostra o cenário político e social que a América do Sul se encontra. Atuações marcantes e direção coerente resultam em uma obra muito reflexiva.

  • IMDb 7.7
  • Roteiro 8
  • Elenco 8
  • Fotografia 7
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About Author

Lucas Pilatti Miranda

Criador do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.

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