O que Terá Acontecido a Baby Jane? – 1962 (Resenha)

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O que Terá Acontecido a Baby Jane?

“O que Terá Acontecido a Baby Jane?” é um grande suspense dirigido por Robert Aldrich e estrelado pela maior rivalidade do cinema: Bette Davis e Joan Crawford, duas das maiores atrizes de todos os tempos e da era de ouro de Hollywood se encontraram novamente depois de muito tempo trocando farpas na vida real.

Davis e Crawford tiveram uma carreira invejável quando jovens dentro dos maiores estúdios de cinema, a primeira realizou diversos filmes para a Warner Brothers enquanto a segunda era a musa e sex-symbol da MGM, mas como nem tudo são flores, a carreira em Hollywood não dura para sempre. A velhice foi chegando e os convites foram diminuindo cada vez mais.

Praticamente esquecidas e abandonadas, Bette Davis fez algo de muita atitude: um anúncio.

“Mãe de três filhos, divorciada, norte-americana. 30 anos de experiência como atriz de cinema. Ainda em atividade e mais fácil de lidar do que os rumores dizem. Gostaria de um emprego em Hollywood (já trabalhou na Broadway)”.

As duas nunca se deram bem, sempre existiu uma grande rivalidade, seja por relacionamentos ou pelo trabalho a rixa era enorme. Além de grandes atrizes, Davis era conhecida pela seriedade de seus papéis e Crawford pelo carisma e beleza. Uma era o complemento que a outra precisava – talvez esse fosse o motivo de não conseguirem se aguentar.

Um dia, dentro de seu camarim na Broadway, na mesma época em que publicou o anúncio, Bette Davis recebeu uma visita inesperada, Joan Crawford apareceu e entregou o livro escrito por Henry Farrell “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” perguntando se ela não gostaria de participar de uma adaptação da história para o cinema ao seu lado. Mesmo sabendo de toda a dificuldade que seria a convivência, Davis aceitou o convite, mas agora elas tinham um desafio: achar um estúdio para bancar a obra, afinal, Hollywood não tinha mais tanto interesse nelas.

Por sorte, convenceram a Seven Arts a produzir o filme. Agora, duas das maiores atrizes que o cinema tinha prestigiado, estavam trocando boa parte de seus cachês por uma parcela na porcentagem dos lucros. Mas elas acertaram, nascia assim “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, filme lançado em 1962 e com sucesso estrondoso, trazendo a maior reviravolta que Hollywood já viu: Bette e Joan estavam vivas, mais do que nunca.

A história, baseada no livro homônimo lançado poucos anos antes (1960), conta a trágica decaída no show business de Jane Hudson (Bette Davis) e o gigante sucesso de sua irmã Blanche Hudson que perde o movimento das pernas após um acidente misterioso.

“Escrevi uma carta para o papai, que mora lá no céu.
Escrevi: “Querido papai, temos saudade,
queríamos que estivesse conosco.
Em vez de selos, coloquei beijos.
O carteiro disse que era melhor assim.
Escrevi esta carta para o papai dizendo: Amo você”

O filme começa com Baby Jane Hudson – ainda criança (por isso Baby) – estrelando nos palcos e cantando essa canção acima, o sucesso dela é incrivelmente grande a ponto de ter uma boneca, réplica perfeita da atriz mirim, resultado dessa necessidade do seu público em querê-la por perto.

Jane Hudson (Bette Davis), já decadente, com sua boneca.

Entretanto, com o passar do tempo, Jane foi sendo esquecida e deixada de lado, quem ontem era uma criança feliz, mimada e popular, virou uma idosa, feia e desconhecida.

Certo dia, após uma festa, vimos a cena de um atropelamento, seguindo pelos créditos iniciais do filme. Não sabemos quem está envolvido, mas assim que o longa começa para valer, as duas irmãs já estão velhas e moram juntas: Blanche não tem mais os movimentos das pernas e está sob os cuidados perversos de sua irmã.

O que terá acontecido a Baby Jane?

Cena icônica do jantar inesperado de Blanche (Joan Crawford).

A obra tem um quê de “Crepúsculo dos Deuses” (1958), que também mostra a decadência da fama, mas vai além mostrando as perversidades da alma humana e, acima de tudo, que as aparências enganam. A direção de Robert Aldrich é primorosa, mostrando ângulos de câmera que condizem com a atmosfera daquela casa e caracterizando o sufoco passado por Blanche quando aprisionada no andar de cima da casa.

Somos presenciados, também, com algumas características do grande mestre do suspense, Alfred Hitchcock nas cenas de ação e movimento. Mas nada se compara a atuação das duas grandes musas, Bette e Joan estão perfeitas. Mas como isso foi possível sabendo da rivalidade das duas?

Não foi fácil, Joan Crawford precisou pedir um dublê de corpo para as cenas de violência pois estava com medo de Bette Davis e, mesmo assim, na cena em que leva um chute na cabeça teria que aparecer seu rosto e Davis não perdoou, chutou pra valer. Crawford precisou sair da gravação e ser atendida levando alguns pontos.

Mas não foi só isso, Joan Crawford, viúva do presidente da Pepsi, levou alguns refrigerantes para os bastidores, Davis não gostou e mandou instalar uma máquina de Coca-Cola para irritar a “colega”.

Por fim, “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” é um filme envolvente, com atuações incríveis e uma história de bastidores mais curiosas que a indústria cinematográfica já presenciou. Trouxe novamente ao estrelato duas das maiores atrizes de Hollywood e sempre será lembrado como um dos maiores suspenses dos anos 60.

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8.0 Bom!

O que Terá Acontecido a Baby Jane? é um grande clássico do suspense que traz uma das maiores rivalidades do cinema brigando pelo brilhantismo na tela. Mesmo que com um roteiro previsível, traz grandes cenas e um final espetacular.

  • Direção 8.5
  • Roteiro 7.5
  • Elenco 9
  • Fotografia 8
  • Trilha Sonora 7
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About Author

Lucas Pilatti Miranda

Fundador e editor-chefe do Canto dos Clássicos, fascinado por música, cinema e uma boa cerveja. Frase preferida do cinema: "A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo." - Ferris Bueller's Day Off.

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